quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Resenha crítica sobre burocracia

Universidade Aberta do Brasil
Aluno:Ernandes Pereira Rodrigues
Tutora: Júlia Mauricia Sales Macedo
Curso: Bacharelado em Administração Pública
 Disciplina: Sociologia organizacional
























                       Resenha Crítica
1-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMPOS, E. Sociologia da burocracia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1976.
CLEGG, S. R. Sucesso do modelo japonês pode fazer empresas (RE)
“descobrirem” recursos humanos. São Paulo: Tendências do trabalho, 1991.
DELLAGNELO, E. H. L. Novas formas organizacionais: ruptura com o modelo
burocrático? Florianópolis: Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa
Catarina, 2000.
DRUCKER, P. F. A organização do futuro: como preparar hoje as empresas de
amanhã. São Paulo: Futura, 2000.
ETZIONI, A. Organizações modernas. São Paulo: Pioneira, 1973.
Rev. Perspec. Contemp. Campo Mourão, v.1, n.1, jan./jul., 2006.
10
MOTA, F. C.; PEREIRA, L. C. B. Introdução à organização burocrática. 7.ed. São
Paulo: Brasiliense, 1980.
RAMOS, A. G. A Nova ciência das organizações – uma reconceituação da riqueza
das nações. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1981.
TRAGTENBERG, M. Burocracia e ideologia. São Paulo: Ática, 1992.
WEBER, M. Economia e sociedade. Brasília, Universidade de Brasília, 1991. v.1.
WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo, Martin
Claret, 2005.
11) NOTAS
(1) Mestrando em administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Pós-graduado em Contabilidade e Finanças pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e graduado em Ciências Contábeis pela Faculdade Bom Jesus (FAE). É professor titular da Faculdade Paranaense e do Núcleo Preparatório de Oficiais da Reserva do 5º Batalhão Logístico. Suas pesquisas abrangem as teorias organizacionais e a formação de redes organizacionais de forma sustentável. E-mail: june@brturbo.com.br.
Enviado: 25/02/2006
Aceito: 22/03/2006
Publicado: 06/05/2006





2-Credenciais do autor
Essa resenha foi feita a partir do artigo escrito pelo estudante June Alisson Westarb Cruz, da Faculdade Paranaense, Curitiba-PR, que aborda o seguinte tema: A BUROCRACIA FORA DO SENSO COMUM.

3-Perspectiva teórica do artigo
       O presente artigo tem por objetivo nos trazer uma análise detalhada sobre as reais contribuições da estrutura burocrática nas organizações.
       Além disso, pretende-se examinar, por meio de observações teóricas, o surgimento da burocracia e seu contexto ao longo do tempo, conforme as determinações econômico-sociais existentes. O trabalho pretende resgatar, de forma descritiva, a reflexão da real contribuição da burocracia aos dias de hoje.

        A identificação da forma do desenvolvimento de nossa sociedade nos possibilita administrar nossas potencialidades e dificuldades. Nesse contexto, o presente estudo propõe uma percepção teórica da burocracia. Contudo, trata-se de um estudo predominantemente descritivo, que aborda as origens, principais características, disfunções e colaboradores da burocracia, objetivando observar o contexto e as reais contribuições da burocracia. Como resultado, percebe-se a contribuição impar da burocracia aos dias atuais, e nos remete a uma provável percepção comum contemporânea de burocracia resumida as suas disfunções e não no seu real conteúdo.
4-Resumo do livro
       No decorrer desse presente artigo, o autor aborda sete tópicos nos quais, expõe suas ideias de forma coerente em cada um deles. Os tópicos são: origem da burocracia; aspectos do surgimento da burocracia; características da teoria da burocracia; autoridade clássica da burocracia; as disfunções da burocracia e graus da burocracia.
       O autor introduz o artigo falando sobre a discussão que a teoria das organizações vem apresentando no que diz respeito aos modelos organizacionais. O mesmo afirma que as organizações são, indiscutivelmente, o tipo de sistema predominante na sociedade contemporânea. Ainda ressalva que a Teoria das Organizações encontra seu sentido no âmbito da Sociologia das Organizações Complexas e, mostrar isso, é o principal mérito de Weber, que descreveu as organizações burocráticas com uma perspectiva dimensional, juntando uma séria de atributos organizacionais que, presentes, configuram uma forma burocrática de organização.

       No primeiro tópico, o autor emite sua ideia sobre a origem da burocracia, na qual frisa que a organização formal burocrática, identifica-se com o Estado, muito antes de seu surgimento na área da empresa privada.
       A burocracia protege uma generalidade imaginária de interesses particulares. As finalidades do Estado são as da burocracia, e as finalidades desta se transformam em finalidades do Estado. A burocracia é sinônima de toda casta, seja hindu ou chinesa. Ela possui o Estado como sua propriedade. (TRAGTENBERG, 1992, p. 24).

       Seu surgimento se deu como forma de dominação estatal na antiga Mesopotâmia, Índia, Rússia, China e antigo Egito. Emergindo como mediação dos interesses particulares e gerais, pode ser caracterizada no modo de produção asiático, coordenando os esforços da sociedade, determinando maior divisão de trabalho, separando mais rigidamente a agricultura e o artesanato. Dá-se, então, a apropriação de poucos representantes da sociedade.

       No segundo tópico, o autor nos dar uma visão aspectiva sobre o surgimento da burocracia, onde o mesmo baseia nas ideias de grandes protagonista das ciências sociais.

        Segundo Ramos (1981), uma característica distinta das modernas sociedades é seu caráter burocrático, possibilitando que as organizações atinjam dimensões enormes sem que haja disfunções graves. Entre outros, esse é um dos fatos que fez da burocracia um sistema dominante nas organizações.

       A burocracia surgiu em função de alguns aspectos, como a necessidade de métodos teóricos que possibilitassem uma abordagem global e integrada dos problemas organizacionais – tentativa que Taylor e Fayol exploraram em suas teorias, porém, com enfoques totalmente divergentes e incompletos, que se caracterizam, na maioria das variáveis, como a organização estrutural e do comportamento humano – da tendência de crescimento das organizações, que necessitariam de modelos bem definidos e aplicados a grandes estruturas, e do descobrimento das obras de Weber, que rapidamente foram aplicadas de forma prática, proporcionando as bases para a Teoria da Burocracia.

       No quarto item, o autor traz as principais características da estrutura burocrática nos dando uma visão dimensional de sua fundamentação.
De acordo com Motta e Pereira (2004), as principais características são:

·         Divisão do trabalho: atende a uma racionalidade, decorrendo a eficiência no cumprimento dos objetivos da organização, sendo assim uma estrutura racionalmente organizada.
·         Hierarquia de autoridade: um sistema organizado de domínio e subordinação mútua entre as autoridades, mediante supervisão das inferiores pelas superiores, possibilitando ao subordinado apelar da decisão de uma autoridade inferior a uma autoridade superior.
·         Separação entre administração e proprietário; surge o profissional especializado em gerir as organizações, que não se trata necessariamente do proprietário, e sim de um profissional preparado para a função de administrador.
·         Salário e promoção baseado na competência técnica; as escolhas de definição de salários e de estabelecimento de promoções, são realizadas pelo mérito e não por preferências pessoais.
·         Impessoalidade no relacionamento; não sendo possível a observação de sentimentos nas relações.
·         Rotinas e procedimentos padronizados: o funcionário não determina o que pretende ser, ele é o que a burocracia determina ou impõe, e o desempenho no cargo é assegurado por um conjunto de regras.
·         Caráter legal das normas: é uma organização regida por normas preestabelecidas por escrito, caracterizada por ter uma legislação própria.
·         Caráter formal das comunicações: usa-se comunicação escrita, todas as ações e decisões são comprovadas por documentação adequada, sendo realizadas repetitivamente através de formulários.
       No quinto tópico, o autor faz uma explanação sobre a autoridade clássica da burocracia, onde o mesmo define autoridade como a probabilidade de que um comando específico seja obedecido, representando o poder institucionalizado e oficializado. Aqui, poder implica o potencial para exercer influência sobre o próximo. Assim, a autoridade proporciona o poder, baseando-se nas fontes e tipos de legitimidade empregados e não nos tipos de poder.

       No sexto tópico, o autor faz uma síntese sobre as disfunções burocráticas onde o autor argumenta que no senso comum remete a burocracia como um lento processo de controle, que impede as soluções práticas rápidas e eficientes. Este senso comum é percebido através do estudo de suas disfunções.

       Segundo Campos “[...] sua inflexibilidade, sua aplicação pratica produz uma série de desajustes” (CAMPOS, 1976, p. 111). Ele ainda diz que podem ser comparados a pintinhos, que são condicionados para que o som de uma campainha se converta em sinal de alimento, e a mesma campainha seja utilizada para a sua decapitação. Diz ainda que em geral usa-se medidas correspondentes a preparação anterior em condições diferentes, possibilitando uma adoção errada de conduta, exercendo sobre os funcionário uma constante pressão para torná-lo metódico, prudente e disciplinado.

       Entre outras disfunções, a mais popular apresentada por Campos (1976), é o fato de as normas e os regulamentos deixarem de ser ferramentas de trabalho para serem o objetivo do trabalho, ou seja, “a submissão às normas, de inicio concebida como meio, transforma-se em um fim em si mesma”

       No último tópico, o autor fala sobre o grau da burocracia, onde alguns estudiosos nos ressalva que “Nem toda associação formal possuirá o conjunto das características incorporadas no tipo ideal de burocracia. O tipo ideal poder ser usado com uma medida que nos possibilita determinar em que aspecto  particular uma organização é burocratizada. O tipo ideal de burocracia pode ser usado como uma régua de doze polegadas. “Não se pode esperar, por exemplo, que todos os objetivos medidos pela régua tenham exatamente doze polegadas – algumas terão mais outros terão menos” (GOULDNER apud CAMPOS, 1976, p. 32).

       Trata-se de uma condição que não se observa pela ausência ou presença. Ela simplesmente está, podendo até afirmar que a burocracia é dimensionada, de acordo com o experimento de Udy (1959), pois ele utilizou sete características burocráticas, subdivididas em elementos burocráticos e elementos racionais.

Conclusão da resenha
       Portanto, nesse presente artigo, podemos ver que, a burocracia de antes não é como a burocracia de hoje, ela foi projetada para facilitar o desempenho nas organizações, mas como podemos ver, com o passar dos anos, seu significado no senso comum foi modificado, como sendo algo de difícil acesse, que é necessário uma séries de coisas, ou seja, muitas complicações.

       Podemos perceber também que o modelo burocrático contribui para a Teoria das Organizações de forma impar. Com sua percepção formal, Weber identificou algumas características da realidade, que proporcionou o desenvolvimento estrutural das organizações, e apesar de suas disfunções, interpretadas como as consequências da aplicabilidade da teoria, possibilitou desenvolver, resolver e criar inúmeros conflitos e virtudes sociais atuais. A realidade contemporânea deve-se em muito a Teoria da Burocracia, que através de suas metodologias, desenvolveu a sociedade, sendo observada em seus vários níveis nas organizações de hoje. O desenvolvimento da burocracia organiza e dá sentido a realidade, porém engessa e formaliza pessoas e serviços, dando pouco valor ao subjetivo.

5-Critica da resenha

        O artigo oferece subsídios à construção dos nossos conhecimentos diante da esfera social e econômica, bem como um grande suporte para diversos tipos de pesquisas no ramo das ciências sociais.

.6-Indicações da resenha

O presente artigo, serve como um manual para subsidiar estudantes dos cursos que envolve as ciências sociais e econômicas afim de que possam formar conhecimentos sólidos.

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